Port Call Optimization (PCO) é a prática de sincronizar dados de ETA, disponibilidade de berço, praticagem, rebocadores e demais serviços portuários para reduzir tempo de espera e aumentar a previsibilidade de uma escala marítima. O maior custo de uma escala nem sempre está no atraso em si, está nas horas de espera evitáveis, na mobilização inadequada de recursos e nas decisões tomadas com base em informações que já não refletem a realidade da operação.
O tema ganhou força em 2026: IAPH e IHMA lançaram na IMO um novo Port Call Optimization Guide, voltado à comunicação harmonizada e à troca eletrônica de dados náuticos e operacionais entre os envolvidos na escala.
Onde está o custo invisível da imprevisibilidade?
Uma escala não é uma sequência de eventos independentes: uma alteração no ETA pode interferir no planejamento do berço, que pode exigir revisão de praticagem, rebocadores e fornecedores. Quando essas mudanças não são compartilhadas com qualidade e no momento certo, o problema se propaga por toda a cadeia.
A DCSA aponta fragmentação da comunicação, formatos inconsistentes e atualizações manuais como os principais fatores que dificultam o ajuste dinâmico de ETA e ETD, resultando em mais tempo de espera, uso ineficiente de recursos e menor previsibilidade para os demais elos da cadeia.
De visibilidade a inteligência operacional
Durante anos, ter visibilidade significou saber onde o navio estava. Hoje isso não basta: o valor está em transformar informação em capacidade de antecipação — saber o que mudou, quem será impactado e qual decisão precisa ser tomada agora.
A versão 2.0 do DCSA Port Call Standard, publicada no fim de 2025, reforça essa direção ao estruturar a troca de eventos operacionais com a lógica Estimated, Requested, Planned e Actual, permitindo acompanhar não um horário isolado, mas sua evolução ao longo do processo. Um ETA atualizado, conectado à disponibilidade de berço e ao planejamento dos serviços de chegada, deixa de ser um dado e se torna inteligência para decisão.
O que é Just-in-Time Arrival e por que ele importa?
Just-in-Time Arrival (JIT) é o ajuste de velocidade do navio para sincronizar sua chegada com a real disponibilidade do berço e dos serviços portuários, em vez de chegar o mais rápido possível apenas para aguardar no fundeadouro.
Um estudo da DCSA, baseado em trabalho da IMO, estimou economia de combustível por viagem entre 4% (otimização 12 horas antes da chegada) e 14% (aplicada de porto a porto). Os resultados variam conforme as condições da viagem e a viabilidade real do JIT.
Port Call Optimization não significa fazer uma escala mais rápida, significa reduzir tempos que não agregam valor e sincronizar melhor os recursos envolvidos.
Qual o papel do agente marítimo na era digital?
Quanto mais digitalizada a escala, mais pertinente essa pergunta. O valor do agente marítimo está cada vez menos na transmissão da informação e cada vez mais na capacidade de interpretá-la, coordenar os envolvidos e agir diante de exceções que a tecnologia sozinha não resolve. Tecnologia e experiência operacional não competem: a primeira aumenta a velocidade e a disponibilidade da informação, a segunda dá significado a ela para cada escala específica.
Quanto custa, afinal, a falta de previsibilidade?
Não existe resposta única, o custo varia conforme navio, porto, carga, contrato e serviços envolvidos. Mas a pergunta mais relevante para armadores e afretadores talvez seja outra: quanto do custo das escalas é realmente inevitável, e quanto decorre de informações que chegaram tarde demais para permitir uma decisão melhor?
Para a Lachmann, Port Call Optimization começa antes da chegada do navio: está na capacidade de acompanhar as variáveis da operação, conectar os envolvidos e transformar informação em ação.