Década do Transporte Sustentável da ONU (2026-2035): o que muda para o transporte marítimo e os portos brasileiros?

A Década do Transporte Sustentável da ONU inaugura uma nova fase para a logística global. Entenda os impactos para o transporte marítimo, os portos brasileiros e o papel estratégico da Lachmann nesse processo de transformação.

Introdução

Em 2023, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu a primeira Década das Nações Unidas do Transporte Sustentável, com início em 2026, por meio da Resolução 78/148, intitulada “Fortalecer os vínculos entre todos os modos de transporte para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

A iniciativa nasce do reconhecimento de que o transporte é um elemento transversal para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, impactando diretamente a competitividade das nações, a qualidade de vida das pessoas e os esforços globais de combate às mudanças climáticas.

Embora não exista um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável dedicado exclusivamente ao transporte, sua influência está presente em diversos ODS relacionados à infraestrutura, inovação, energia, trabalho decente, redução das desigualdades e ação climática. Por essa razão, a ONU definiu o transporte sustentável como uma das ferramentas mais relevantes para acelerar o cumprimento da Agenda 2030.

A Década do Transporte Sustentável busca ampliar a conscientização sobre a importância estratégica da mobilidade de pessoas e cargas, estimular a cooperação internacional e mobilizar investimentos, tecnologias e parcerias voltadas à construção de sistemas de transporte mais eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis. Para orientar esse esforço global, foi desenvolvido um Plano de Implementação contemplando áreas prioritárias capazes de impulsionar mudanças estruturais em diferentes regiões do mundo.

A relevância dessa agenda vai muito além das discussões ambientais. O transporte sustentável é um facilitador do crescimento econômico de longo prazo, da integração regional e da inserção dos países nas cadeias globais de
valor. Portos, rodovias, ferrovias, hidrovias e corredores logísticos eficientes contribuem para reduzir custos, aumentar a competitividade e ampliar o acesso a mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, as decisões tomadas hoje definirão o perfil das infraestruturas que sustentarão o comércio mundial nas próximas décadas. Investimentos em ativos mais eficientes, resilientes e preparados para uma
economia de baixo carbono poderão gerar vantagens competitivas duradouras. Em contrapartida, a manutenção de modelos pouco sustentáveis tende a elevar custos operacionais, riscos regulatórios e barreiras comerciais no futuro.

Nesse contexto, o setor marítimo ocupa posição de destaque. Responsável por aproximadamente 90% do comércio internacional em volume, o transporte marítimo é um dos pilares da economia global e desempenha papel essencial na integração dos mercados e no abastecimento das cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, tornando-se peça-chave na estratégia mundial de
descarbonização.

Nos últimos anos, a indústria marítima passou a viver uma transformação sem precedentes. O acordo aprovado pela Organização Marítima Internacional (IMO) em 2025 consolidou metas obrigatórias de redução das emissões e
estabeleceu mecanismos econômicos para incentivar a adoção de combustíveis de menor intensidade de carbono. O novo IMO Net-Zero Framework inaugura uma nova fase regulatória, na qual sustentabilidade e competitividade passam a caminhar lado a lado.

A mudança não se limita aos armadores. Ela impacta toda a cadeia logística. Portos precisarão se adaptar para receber novas tecnologias e combustíveis alternativos. Terminais deverão revisar seus processos operacionais.
Autoridades precisarão atualizar regulamentações. Empresas de apoio marítimo, fornecedores e agentes envolvidos na operação portuária serão chamados a participar ativamente dessa transição.

É justamente nesse ponto que surgem importantes oportunidades para o Brasil. Com uma matriz energética relativamente limpa e potencial significativo para produção de combustíveis renováveis, o país reúne condições favoráveis para desempenhar papel relevante no processo de descarbonização do transporte marítimo. A expansão de projetos ligados ao hidrogênio verde, ao metanol verde, aos biocombustíveis avançados e a novas soluções energéticas poderá atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a competitividade dos portos brasileiros.

O Papel da Lachmann na nova agenda do transporte marítimo

A transição energética do transporte marítimo não será construída apenas por novas regras ou novas tecnologias. Ela dependerá, sobretudo, da capacidade de coordenação entre os diversos agentes que compõem o ecossistema
logístico.

Como uma empresa que atua há décadas na interface entre armadores, terminais, portos, autoridades e operadores logísticos, a Lachmann possui uma posição estratégica para contribuir com essa evolução do setor. Mais do que
acompanhar as mudanças regulatórias e operacionais que estão sendo implementadas globalmente, a companhia pode atuar como facilitadora da integração entre os diferentes elos da cadeia marítima e portuária.

O futuro da logística sustentável exigirá alinhamento entre infraestrutura, requisitos ambientais, segurança operacional, eficiência logística e viabilidade econômica. Nesse cenário, organizações capazes de conectar interesses, compartilhar conhecimento e apoiar processos de adaptação serão cada vez mais valorizadas.

A experiência da Lachmann no agenciamento marítimo, na interface com autoridades portuárias e regulatórias e no relacionamento com armadores, terminais e operadores logísticos permite à empresa apoiar clientes e parceiros
na compreensão dos desafios emergentes do setor e na busca por soluções que conciliem competitividade, eficiência operacional e sustentabilidade.

Mais do que uma tendência, a descarbonização tornou-se um vetor estratégico para o comércio internacional. Empresas preparadas para essa nova realidade estarão em melhor posição para atender às demandas de um mercado cada vez mais orientado por critérios ESG, eficiência operacional e responsabilidade ambiental.

A Década das Nações Unidas do Transporte Sustentável representa uma oportunidade única para acelerar essa transformação. Para a Lachmann, trata-se da chance de reforçar seu compromisso histórico com a inovação, a
excelência operacional e o desenvolvimento do setor marítimo-portuário brasileiro, contribuindo para a construção de cadeias logísticas mais eficientes, resilientes e sustentáveis.

Em um momento em que o transporte mundial redefine seus rumos para as próximas décadas, o papel das empresas não será apenas acompanhar a mudança, mas ajudar a liderá-la. E é nesse movimento que a Lachmann pode continuar exercendo sua vocação de conectar pessoas, mercados e oportunidades, agora também contribuindo para um futuro mais sustentável para a navegação e para o comércio global.

Sobre a Lachmann

Com atuação integrada nos segmentos de agência marítima e soluções logísticas integradas, a Lachmann acompanha as transformações que estão redefinindo o transporte global. Em um cenário de transição energética, novas exigências regulatórias e crescente demanda por eficiência operacional, a empresa atua como elo estratégico entre armadores, portos, terminais, autoridades e demais agentes da cadeia logística, contribuindo para o desenvolvimento de operações mais seguras, eficientes e sustentáveis.

Fontes e Referências

NAÇÕES UNIDAS. UN Decade of Sustainable Transport 2026-2035. Disponível em: UN Decade of Sustainable Transport 2026-2035. Acesso em: 31 ago. 2026.
MARINE LINK. UN Launches Decade of Sustainable Transport. Disponível em: UN Launches Decade of Sustainable Transport. Acesso em: 31 ago. 2026.
PORTOS E NAVIOS. WSC defende papel do transporte marítimo na descarbonização. Disponível em: WSC defende papel do transporte marítimo na descarbonização. Acesso em: 31 ago. 2026.

Por Fernanda Azevedo
Gerente Jurídica na Lachmann

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