COP30 | MPor oficializa estratégia nacional para descarbonização do setor aquaviário.

A participação do Brasil na COP30, em Belém, trouxe novidades importantes para o setor aquaviário. Durante a conferência, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) formalizou a criação de dois programas nacionais voltados à redução de emissões e à transição energética em portos e na navegação: o Programa Nacional de Descarbonização de Portos (PND-Portos) e o Programa Nacional de Descarbonização da Navegação (PND-Navegação). A portaria foi assinada em ato oficial no dia 18 de novembro.

Na prática, os programas passam a funcionar como instrumentos de planejamento e coordenação para que o setor aquaviário contribua de forma estruturada com as metas climáticas do país. Segundo o MPor, a ideia é apoiar a redução gradual das emissões de gases de efeito estufa, incentivar a eficiência energética e modernizar infraestruturas portuárias e hidroviárias, em sintonia com a agenda climática global.

| PND-PORTOS: olhar para emissões dentro e em torno dos terminais.

O PND-Portos ficará sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Portos. De acordo com as informações divulgadas, o programa será desenvolvido em articulação com outros atores públicos e privados e terá foco em quatro frentes principais:

  1. Gestão de emissões diretas e indiretas nos portos.
  2. Adoção de fontes de energia limpa.
  3. Eletrificação de equipamentos usados nas operações.
  4. Inclusão de requisitos de sustentabilidade em contratos de concessão portuária.

Ao reunir essas linhas de atuação em um único programa, o MPor pretende dar mais coerência às iniciativas ambientais no ambiente portuário e usar os instrumentos de concessão como alavanca para práticas de baixo carbono.

| PND-NAVEGAÇÃO: foco na frota, na eficiência e nos combustíveis.

O PND-Navegação será conduzido pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação. A proposta é trabalhar com um conjunto de ações voltadas diretamente ao transporte aquaviário, com atenção a quatro pontos:

  1. Incentivo ao uso de combustíveis sustentáveis.
  2. Aprimoramento da eficiência operacional.
  3. Modernização da frota.
  4. Fortalecimento da infraestrutura de abastecimento.

Com isso, o programa passa a ser a referência do ministério para organizar a transição energética na navegação, reduzindo gradualmente a dependência de combustíveis fósseis e criando condições para adoção de novas tecnologias.

Para dar transparência e medir avanços, o LabTrans/UFSC está criando uma solução integrada para registrar, monitorar e divulgar indicadores de emissões e desempenho climático de portos e navegação. Ademais, os programas foram desenhados para dialogar diretamente com a Política Nacional sobre Mudança do Clima e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, alinhando os movimentos do setor à estratégia do país.

A partir de agora, a expectativa é que o ministério detalhe metas, ações e instrumentos específicos vinculados a cada programa, em diálogo com os diferentes segmentos da cadeia aquaviária. A forma como esses planos serão implementados deve influenciar diretamente o ritmo de modernização de portos, frotas e infraestruturas de abastecimento nos próximos anos.

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