Liderança feminina no setor marítimo-portuário: uma reflexão no mês da mulher

Março é um convite para reconhecer trajetórias, refletir sobre avanços e, principalmente, olhar para o futuro. Quando penso em liderança, especialmente na liderança feminina no setor marítimo-portuário, penso menos em rótulos e mais em responsabilidade. Ao longo da minha jornada, aprendi que liderança não tem gênero: exige propósito, coragem, consistência e compromisso. E, em um setor onde as mulheres ainda são minoria, sua presença também ajuda a abrir caminhos para que outras possam ocupar, com liberdade e competência, os espaços que desejarem. 

No setor marítimo-portuário, essa reflexão ganha ainda mais peso. Trata-se de um ambiente historicamente masculino, técnico, exigente e em constante transformação. Os dados mais recentes da IMO e da WISTA mostram que houve avanços, mas ainda de forma desigual: mulheres representam 19% da força de trabalho nas administrações marítimas e cerca de 16% do quadro das empresas privadas que participaram da pesquisa global. Ao mesmo tempo, a própria IMO reforça que diversidade não é apenas um ideal, mas uma condição importante para a inovação, a sustentabilidade e a prosperidade de longo prazo no setor. 

Para mim, um dos pontos mais importantes dessa conversa é entender que não existe uma única forma de liderar. Durante muito tempo, muitos ambientes profissionais valorizaram um modelo único de autoridade, presença e tomada de decisão. Felizmente, isso vem mudando. Hoje, vemos cada vez mais espaço para lideranças autênticas, que unem firmeza e escuta, visão estratégica e sensibilidade, resultado e humanidade. Nós, mulheres, podemos liderar da nossa forma, com o nosso jeito de ser, sem precisar renunciar à nossa identidade para sermos respeitadas. 

Na Lachmann, empresa de agenciamento marítimo e terminais alfandegados, o serviço está no centro da nossa atuação. E liderar é, antes de tudo, colocar-se a serviço da equipe. A minha forma de servir à equipe é oferecer direção, remover barreiras, apoiar as pessoas e assegurar a sustentabilidade do negócio. Da mesma forma, nossas equipes se colocam a serviço dos clientes, com responsabilidade, visão de dono e compromisso com a entrega. Nesse sentido, liderança não é apenas um cargo, mas uma postura: a escolha diária de contribuir, apoiar e gerar valor para o todo. 

Por isso, neste mês da mulher, a reflexão que eu gostaria de deixar é simples: que a gente continue falando menos de limites e mais de possibilidades. Que possamos reconhecer o valor da liderança em suas diferentes formas. E que cada vez mais mulheres possam ser líderes, se assim desejarem — com preparo, liberdade, autenticidade e espaço para construir suas trajetórias com consistência e propósito. No fim, quando ampliamos escolhas e fortalecemos talentos, todos ganham: as empresas, o setor e a sociedade.

Isabel Lachmann, CEO da Lachmann

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